
Os fabricantes rivais
de celulares podem ter uma chance de explorar um raro vacilo da Apple no
lançamento de seu iPhone 4S, que não encantou os fãs da empresa, para conquistar
participação maior no segmento mais lucrativo do mercado de telefonia, afirmaram
analistas nesta quarta-feira.
Agentes de mercado apontaram, entretanto, que a Apple decidiu manter os
modelos de iPhone mais antigos, reduzindo os preços, o que pode ajudá-la a
aumentar vendas nos segmentos de preço mais baixo e nos mercados em
desenvolvimento, dominados pela Nokia e Samsung Electronics.
"A Apple já não está em vantagem, e seu serviço em nuvem ficou para trás do
(sistema operacional do Google) Android. Agora, ela só pode vender aproveitando
a fidelidade à marca," disse C. K. Lu, analista da Gartner em Taipei."Os
usuários podem esperar para comprar o próximo iPhone. Quem não puder esperar
talvez mude para marcas que ofereçam especificações mais avançadas,"
acrescentou.
O iPhone, lançado em 2007 com a tela de toque que todos os rivais adotaram
posteriormente, provou ser o novo padrão no crescente mercado de smartphones, e
as vendas cada vez mais altas prejudicaram os ambiciosos planos de muitos
concorrentes.
Mas as ações da Samsung Electronics, HTC e LG Electronics, que fabricam
celulares que utilizam o Android, avançaram depois que a Apple lançou o iPhone
4S na terça-feira. Na Europa, as ações da Nokia e da Ericsson, que detém metade
da joint-venture Sony Ericsson, mostravam alta de 2,4 por cento no começo do
pregão desta quarta-feira.
"A Nokia deve se beneficiar do fato de que o novo modelo da Apple não
enfatiza o design e, contrariando alguns rumores, a empresa não oferecerá nada
novo para o crucial segmento médio do mercado," afirmaram analistas da Nordea em
nota.
O novo iPhone 4S tem formato idêntico ao do modelo anterior, decepcionando os
fãs que esperavam um aparelho mais fino e com tela maior para suceder um produto
que não tinha sido atualizado em mais de um ano.
Embora truques tecnológicos avançados como comandos de voz - para enviar
mensagens, verificar cotações de ações e outros fins - tenham atraído a atenção
de muitos analistas, eles podem não ser suficientes para tornar o aparelho um
item de consumo obrigatório.
"A grande preocupação da Samsung era que seu ímpeto nos celulares
inteligentes se desacelerasse com o novo iPhone, mas isso agora preocupa menos,
porque o novo iPhone não entusiasmou muita gente," disse Kim Young-chan,
analista da Shinhan Investment, em Seul.
Na quarta-feira, a Samsung também anunciou que solicitaria na Justiça o
bloqueio da venda do novo iPhone, em tribunais da França e Itália, alegando que
o modelo viola patentes de tecnologia móvel detidas pela companhia, o que
expandirá a guerra judicial já conturbada que trava contra a maior rival.
A Apple também revelou na terça-feira que reduziria o preço do iPhone 4, o
modelo anterior, a 99 dólares, para os usuários que o adquiram com um plano de
operadora, e que o 3GS, ainda mais antigo, será fornecido de graça aos usuários
que assinarem planos de operadoras. Isso pode permitir que a empresa atinja a
camada mais baixa do mercado, que no passado não tinha interesse em atender.
Mesmo antes de reduzir os preços, a Apple já estava preparada para crescer
exponencialmente na China, maior mercado mundial de telefonia móvel, com mais de
900 milhões de assinantes.
Na Índia, o segundo maior mercado, com mais de 850 milhões de assinantes, a
situação é mais difícil, já que os celulares inteligentes respondem por apenas
5% das vendas de celulares. Os celulares que operam com Android, fornecido
gratuitamente a Samsung, HTC e Motorola Mobility, têm fatia de mercado combinada
superior à do iPhone, que continua a ser o smartphone mais vendido do mundo.
"Muitos consumidores ainda não experimentaram o iPhone, e a Apple ainda tem
muitos mercados e operadoras nos quais ingressar, por isso, quando surge um
modelo novo com melhores especificações, isso ajuda a elevar os embarques,"
disse Ming-chi Kuo, analista da Concord Securities, em Taipei.
"O iPhone 4S é voltado a usuários do 3GS cujos contratos de serviço de dois
anos estão expirando," acrescentou. A Apple bateu recorde ao vender 20,3 milhões
de iPhones no segundo trimestre, ante 19 milhões de unidades vendidas pela
Samsung e 16,7 milhões pela Nokia, segundo analistas.
Fonte: Terra












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